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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vencendo Juntos!


Há alguns anos atrás, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental ou física, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.

Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou no asfalto, caiu rolando e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram.

Todos eles.

Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse:
- Pronto, agora vai sarar.
E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada.

O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos.

E as pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam contando essa história até hoje.

Talvez os atletas fossem deficientes mentais ... mas, com certeza, não eram deficientes da sensibilidade ...
E lá no fundo, todos nós sabemos, o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho. O que importa nesta vida é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso.

"Que cada um de nós seja capaz de diminuir seu passo ou mudar seu curso para ajudar alguém que, em algum momento de sua vida, tropeçou e precisou de ajuda para continuar."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Suspeita


O folclore alemão conta a história de um homem que, ao acordar, reparou que seu machado desaparecera.

Furioso, acreditando que seu vizinho o tivesse roubado, passou o resto do dia observando-o.

Viu que tinha jeito de ladrão, andava furtivamente como ladrão, sussurrava como um ladrão que deseja esconder seu roubo.

Estava tão certo de sua suspeita que resolveu entrar em casa, trocar de roupa e ir até a delegacia dar queixa.

Assim que entrou, porém, encontrou o machado que sua mulher havia colocado em outro lugar.

O homem tornou a sair, examinou de novo o vizinho, e viu que ele andava, falava e se comportava como qualquer pessoa honesta.

Cuidado com o que pensa sobre as pessoas!

domingo, 1 de novembro de 2009

Reflexao sobre a morte e a vida


A morte nos coloca diante da mais simples verdade, a única certeza absoluta que nem mesmo o cético mais obstinado pode duvidar. A dor que nos dilacera nestes momentos não cabe em palavras. Só nos resta senti-la, suportá-la e manifestá-la. O que dizer ao pai e mãe que perdem o(a) filho(a)? Como confortar o(a) filho(a) diante do falecimento do pai ou da mãe? O que falar aos que choram pela morte dos entes mais queridos?

Não é fácil. Por mais sincero que seja o que proferimos em tais circunstâncias, não é suficiente para aliviar a dor e ainda pode soar formal. Não esqueço do pai cujo filho morreu afogado: abracei-o e senti o seu corpo trêmulo. Meu abraço expressou toda a solidariedade que cabia em mim naquele momento, mas fui incapaz de pronunciar qualquer palavra. E se o dissesse, ela não expressaria mais do que o meu gesto.

A morte também é elucidativa. Ela ensina, mostra o quanto somos frágeis e explicita a efemeridade da vida. Não podemos confiar no amanhã, pois nada nos garante que estaremos vivos. No entanto, precisamos nos iludir, pois é insuportável imaginar a ausência do ser no dia que segue. Assim, nos entregamos à rotina e esta nos oferece uma espécie de segurança ontológica. Precisamos acreditar que outro dia virá, que estaremos entre os nossos e eles estarão conosco. E isto é ainda mais necessário porque não se trata apenas da vida e morte do “eu”. Não é tão difícil aceitar a própria finitude, é muito mais doloroso perder o “outro” que nos completa. Até aceitamos a invitabilidade da morte do “eu”, mas é dilacerante a experiência da partida dos que amamos.

Talvez por isso tenhamos tantas dificuldades em pensar sobre a morte. Muitas vezes este é um assunto interdito, um tabu. Já fui chamado a atenção por volta-e-meia tratar deste tema. Compreendo. Refletir sobre a morte é, entre outros aspectos, reconhecer o quanto é risível a nossa presunção. Somos natureza, mas arrogantemente almejamos a eternidade. Ao vivermos como se eternos fossemos não percebemos o tempo precioso que se esvai a cada segundo. As coisas mais simples da vida, os detalhes que nos realizam em toda a plenitude do nosso ser são, muitas vezes, relegados a plano secundário.

E assim esgotamos o tempo que temos com o superflúo, a mesquinhez e a arrogância. Será que fazemos jus ao exíguo tempo que nos é oferecido a cada dia? Muitas vezes o que parece importante não é o essencial. O poeta Horácio aconselhava: Carpe diem quam minimum credula postero (Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã). Devemos valorizar cada segundo como se fosse o último. O amanhã é um tempo que não nos pertence, mas como viver sem olhar para o passado e sem a esperança no futuro? Se podemos sonhar e imaginar o amanhã, como restringir-se ao presente?

O escapismo pode se revelar ineficaz. Somos racionais, mas também seres de emoções e sentimentos. Como escreve Milan Kundera: “Penso, logo existo é um afirmação de um intelectual que substima as dores de dente. Sinto, logo existo é uma verdade de alcance muito mais amplo e que concerne a todo o ser vivo”.*

Ele se refere à dor física, mas também há a aflição pela perda do ser amado. Então, o “eu” dilacera-se e o sofrimento acentua dolorosamente a existência. O “eu” dilacerado deixa de ser pleno. É um “eu” partido, pois parte de mim extingui-se com o “outro” que se foi. A perda de quem amamos esfacela o “eu”. De certa forma, morremos também. Porém, permanece a possibilidade de reincorporar. A memória do “outro” vive em mim, e se o sinto presente encontro forças para suportar a dor. Não esquecê-lo é evitar a sua segunda morte.

Sofrer é próprio do humano, mesmo assim é preciso perseverar. A vida continua e nos desafia a vivê-la plenamente e merecê-la.